Filhas de Frida – Oficinas e palestras gratuitas

Grupo Filhas de Frida SJDR

Em homenagem ao dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, um grupo de amigas decidiu organizar em São João del-Rei o evento intitulado “Filhas de Frida” como homenagem à pintora mexicana Frida Kahlo que é um símbolo de força e resistência feminina. Devido à um acidente aos 19 anos que afetou para sempre sua saúde e sua possibilidade de engravidar, Frida começou a pintar como forma de expressar seus sentimentos e sua dor, deixando como legado para o mundo sua arte.

A iniciativa que acontecerá no dia 23 de março, das 10h às 22h, no Centro Cultural da UFSJ, irá promover diversas atividades, desde oficinas à palestras gratuitas, abertas a toda comunidade.

A programação terá início às 10h, e seguirá até as 22h, com apresentação de trabalhos de artistas, fotógrafas, documentaristas, musicistas, escritoras e artesãs. Thaio Conde, artista e uma das organizadoras da ação, ressalta que o evento promove os trabalhos de mulheres artistas e aumenta a participação feminina em todos os setores das artes. “É uma oportunidade também para debater assuntos ligados a representatividade feminina na arte, que é um reflexo da visão da sociedade, conclui.

De acordo com Thais Andressa, fotógrafa e também uma das organizadoras, o intuito é juntamente, proporcionar a valorização dos talentos e trabalhos das mulheres, e com a união criar um evento que propicie a troca de experiências e fortalecimento de elos e amizades. A psicóloga Luma Alves, que ministrará uma das palestras, completa a visão anterior e declara: “A importância da ação, é estar entre as mulheres e perceber as necessidades que temos de nos conectar e trocar conhecimentos, vivências e afetos”.

Para Monique, “As Filhas de Frida são mais que mulheres consideradas a frente de seu tempo, são referências para debater assuntos a respeito da própria representatividade na arte em geral, incentivar o empoderamento feminino e abrir um leque de reflexões para que possamos nos conectar, trocar conhecimentos, vivências, afetos, que nos façam falar, que saibam nos ouvir e respeitar.”

Confira a programação completa:

9hs – Aula de ioga com Ana Câmara
Material necessário: Tapetinho, canga ou toalha. Ir de roupa confortável que não atrapalhe o movimento.

10hs – Oficina Iniciação ao desenho realista para todas as idades – ilustradora Thaio Conde
Material necessário: Prancheta A4 (ou apoio de compensado para colocar o papel), lápis 2B, 6B, caneta BIC preta e material de sua preferência.

11hs – Palestra sobre o amor romântico pós-moderno – psicóloga Luma Alves

12hs – Palestra: O protagonismo feminino na fotografia – fotógrafa Thais Andressa

13hs – Apresentação do documentário: “Me Chame pelo Nome” – Carla de Jesus e Jéssica Felizardo

14hs – Palestra: O projeto de vida dos condenados inseridos no método de execução penal Apac – Carla de Jesus

15hs – Oficina de iniciação a Macramê – artesã Aline Conde
Material necessário: Prancheta de escritório (pra prender as cordas durante o macramê)

16hs – Palestra sobre Moda x Auto-estima x Consumismo – Samara Nonada (Brexó da Bruxa) e Monique Silva (Amor de Brechó).

17hs – Bate-papo com Déborah Vieira, autora do livro ‘Pássaro Livre’

18hs – Bate-papo com a fotógrafa Natália Chagas sobre a fotografia como forma de empoderamento feminino

19hs – Oficina de zine e HQ – escritora Laila Zin e ilustradora Thaio Conde
Material necessário: Papel, lápis, caneta e material de sua preferência.

20hs – Roda de conversa sobre Produtividade Cíclica – Fernanda Felberg

21hs – Pocket show “Olhe para si” com Lariella

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/361788631092634/

Banho

Banho. A água quente se desloca no ar em queda livre escorrendo pelas lacunas de ausência do meu corpo. Como um velho hábito, estico a minha língua para sentir as gotas que caem como floco de neve derretido, mas que derreteu demais. Aos poucos vou imergindo na água que cai: mãos, rosto, cabelo, corpo. Pego o sabonete e cheiro a espuma e ela, com cheiro de morango recém-colhido, parece uma mistura de nuvem com algodão doce.

– Pena que o olfato engana o paladar – digo enquanto penso nas minhas acidentais experiências de engolir sabão. Passo o xampu nos cabelos como uma massagista profissional, me lavo duas vezes, depilo as pernas, movo meus dedos úmidos pelas curvas da minha orelha. Cheiro novamente a espuma enquanto esfrego a esponja nas palmas da mão para sentir a textura. E a água quente continua caindo sob minha pele de forma que até o filósofo Epicuro diria que estou presenciando uma aguada manifestação de felicidade.

Busco mais o que fazer no banho (ao invés de racionar a água) como uma racionalização para continuar por mais 5 minutos. A consciência é forte demais para eu simplesmente ficar debaixo d’água, parada, sem buscar uma desculpa que justifique. As gotas continuam caindo na minha cabeça e escorrem como os pensamentos que vai e vão da minha mente, sempre buscando uma brecha para que esse banho não seja tão descaso com o planeta.

Listo mentalmente sentindo crescer o calor da responsabilidade (ou seria o calor da água?): sou vegetariana, planto alguns alimentos, faço compostagem, reciclo, saio pouco de carro… Lá fora está tão frio! – O banho começa a incomodar graças a uma fusão de corpo e mente. Meus dedos enrugados e minha cabeça moralista reclamam como se eu tivesse entrando em processo de cozimento. Depois de 40 minutos, enfrento o frio e saio.

Durante o choque de temperatura, minha mente finalmente se sente aliviada igual tomar num banho de cachoeira após horas de trilha na mata. Me surpreendo e então tento me recordar – não do último banho de cachoeira – mas sim de quantos dias eu estava sem tomar banho.

Mais contos em: http://thaioconde.art.br/category/textos/

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