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Thaio

Akali

Akali. Aquele dia foi o dia mais triste da minha vida. Talvez não tenha sido o pior dia da minha vida, mas foi o mais doloroso a ponto de eu não aguentar.
Eu desejaria o dia do acidente, comigo saindo do carro que afundava no brejo, novamente. Um lugar no tempo em que os minutos anteriores estavam esquecidos pra sempre e o instinto de sobrevivência possuía meu corpo e não havia nenhum pensamento. Eu não pensava: Eu vou morrer aqui embaixo esquecida pelo sol e dominada pela água. Eu era a adrenalina de um animal.
Akali. Ela nasceu um humano, mas que veio nessa vida num corpo de animal. Ela manifestava com pulos e rodopios o orgulho de quem conseguiu se superar e fazer o que não fazia antes. Podia ter surgido como uma tigresa ou leoa, mas preferiu surgir como um gato. O animal que domina o planeta.
Muitos podem questionar minha opinião a respeito de gatos e então prefiro convencer aos outros até cederem à minha visão. Gato, com seu jeito excêntrico e charmoso, domina os ser humanos de forma que conseguem tudo o que quer – e, submisso à vontade do felino, a pessoa faz de tudo para agradar seu bichano com total satisfação.
Akali. Esta sim sempre conseguia o que queria.
Akali. Naquele brejo a um ano atrás, eu estava vulnerável, mas minha menina estava protegida. Os planos sempre foram outros. Coloquei comida e água em abundância para alimentar minha família de 6 gatinhos enquanto eu estivesse fora numa viagem de um dia, mas como uma entidade sensitiva, minha Akali sabia o que estava para acontecer. Protestou e tentou impedir minha passagem pela porta com seu pequeno corpo como nunca tinha feito antes. Miava criticando meus planos com seus grandes olhos e então despedi. É apenas um dia, Akali.
Era apenas um dia. A ânsia do meu retorno perdurou por longos 2 meses até eu finalmente ter alta no hospital. Minhas promessas foram quebradas e ela nunca me disse o que sentiu, então na minha cabeça sempre imaginava que devia ser uma mistura de saudade com decepção. Minutos antes de chegar de carro e abrir a porta de casa, eu comecei a pensar se algum dos gatinhos ainda se lembrava de mim. Seria a memória de um gato pequena como a de um peixe? Ou então o oposto disso? Talvez gatos tenham uma lembrança tão boa e precisa que seu interesse por comer peixes seja mais profunda que apenas um instinto de saciar sua fome. Quem sabe se alimentar de peixes seja uma busca de absorver as tão famosas habilidades de esquecimento?
Mas já se tinha passado um ano deste momento e ao invés de minutos esquecidos, os próximos estariam para sempre gravados na minha memória. Ela tinha morrido. Um minuto atrás estava tudo bem.
Chegando do hospital, tudo parecia diferente como se eu morresse e renascesse num mundo paralelo. Me recordo até hoje das cores, dos cheiros, da dificuldade de respirar e a sensação de estranhamento no espaço aberto ao ser colocada na calçada. Abriram a minha porta de casa, que não parecia mais ser minha, como uma realização dos meus desejos secretos. Ou seria as vontades da Akali? Simplesmente ela estava ali feliz ao me ver.
Subiu delicadamente na cama dando a volta por mim e começou com as patinhas fazer massagem na minha perna quebrada. Estava esclarecido o meu desaparecimento finalmente. Puxou com calma a coberta e se enrolou entre as minhas pernas como um passarinho voltando para o ninho. E ficou.
Akali. Do mesmo jeito que ela que dormiu satisfeita a um ano atrás, ela acordou. Ainda estava quente o tecido que dormia quando ela adormeceu para sempre. Nunca vou entender a maldade humana de destruir o amor vívido de um humano e seu bichano. Eu achava que ela ainda estava debaixo das cobertas, mas Akali morreu.
E como um tecido irreparável, o momento foi rasgado de forma simples e distraída como num desleixo num dia alegre. E eu fiquei em retalhos.
akali conto imortal - thaio conde

Filhas de Frida – Oficinas e palestras gratuitas

Grupo Filhas de Frida SJDR

Em homenagem ao dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, um grupo de amigas decidiu organizar em São João del-Rei o evento intitulado “Filhas de Frida” como homenagem à pintora mexicana Frida Kahlo que é um símbolo de força e resistência feminina. Devido à um acidente aos 19 anos que afetou para sempre sua saúde e sua possibilidade de engravidar, Frida começou a pintar como forma de expressar seus sentimentos e sua dor, deixando como legado para o mundo sua arte.

A iniciativa que acontecerá no dia 23 de março, das 10h às 22h, no Centro Cultural da UFSJ, irá promover diversas atividades, desde oficinas à palestras gratuitas, abertas a toda comunidade.

A programação terá início às 10h, e seguirá até as 22h, com apresentação de trabalhos de artistas, fotógrafas, documentaristas, musicistas, escritoras e artesãs. Thaio Conde, artista e uma das organizadoras da ação, ressalta que o evento promove os trabalhos de mulheres artistas e aumenta a participação feminina em todos os setores das artes. “É uma oportunidade também para debater assuntos ligados a representatividade feminina na arte, que é um reflexo da visão da sociedade, conclui.

De acordo com Thais Andressa, fotógrafa e também uma das organizadoras, o intuito é juntamente, proporcionar a valorização dos talentos e trabalhos das mulheres, e com a união criar um evento que propicie a troca de experiências e fortalecimento de elos e amizades. A psicóloga Luma Alves, que ministrará uma das palestras, completa a visão anterior e declara: “A importância da ação, é estar entre as mulheres e perceber as necessidades que temos de nos conectar e trocar conhecimentos, vivências e afetos”.

Para Monique, “As Filhas de Frida são mais que mulheres consideradas a frente de seu tempo, são referências para debater assuntos a respeito da própria representatividade na arte em geral, incentivar o empoderamento feminino e abrir um leque de reflexões para que possamos nos conectar, trocar conhecimentos, vivências, afetos, que nos façam falar, que saibam nos ouvir e respeitar.”

Confira a programação completa:

9hs – Aula de ioga com Ana Câmara
Material necessário: Tapetinho, canga ou toalha. Ir de roupa confortável que não atrapalhe o movimento.

10hs – Oficina Iniciação ao desenho realista para todas as idades – ilustradora Thaio Conde
Material necessário: Prancheta A4 (ou apoio de compensado para colocar o papel), lápis 2B, 6B, caneta BIC preta e material de sua preferência.

11hs – Palestra sobre o amor romântico pós-moderno – psicóloga Luma Alves

12hs – Palestra: O protagonismo feminino na fotografia – fotógrafa Thais Andressa

13hs – Apresentação do documentário: “Me Chame pelo Nome” – Carla de Jesus e Jéssica Felizardo

14hs – Palestra: O projeto de vida dos condenados inseridos no método de execução penal Apac – Carla de Jesus

15hs – Oficina de iniciação a Macramê – artesã Aline Conde
Material necessário: Prancheta de escritório (pra prender as cordas durante o macramê)

16hs – Palestra sobre Moda x Auto-estima x Consumismo – Samara Nonada (Brexó da Bruxa) e Monique Silva (Amor de Brechó).

17hs – Bate-papo com Déborah Vieira, autora do livro ‘Pássaro Livre’

18hs – Bate-papo com a fotógrafa Natália Chagas sobre a fotografia como forma de empoderamento feminino

19hs – Oficina de zine e HQ – escritora Laila Zin e ilustradora Thaio Conde
Material necessário: Papel, lápis, caneta e material de sua preferência.

20hs – Roda de conversa sobre Produtividade Cíclica – Fernanda Felberg

21hs – Pocket show “Olhe para si” com Lariella

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/361788631092634/