Conto imortal

Akali. Aquele dia foi o dia mais triste da minha vida. Talvez não tenha sido o pior dia da minha vida, mas foi o mais doloroso a ponto de eu não aguentar.
Eu desejaria o dia do acidente, comigo saindo do carro que afundava no brejo, novamente. Um lugar no tempo em que os minutos anteriores estavam esquecidos pra sempre e o instinto de sobrevivência possuía meu corpo e não havia nenhum pensamento. Eu não pensava: Eu vou morrer aqui embaixo esquecida pelo sol e dominada pela água. Eu era a adrenalina de um animal.
Naquele brejo, eu estava vulnerável, mas minha menina estava protegida. Estava na ânsia da minha chegada que demorou 2 meses até eu ter finalmente alta no hospital.
Mas já se tinha passado um ano desse momento e ao invés de minutos esquecidos, estes estariam pra sempre gravados na minha memória. Ela tinha morrido. Uns minutos atrás tudo estava bem.
E como um tecido irreparável, o momento foi rasgado de forma simples e distraída como em um desleixo num dia alegre. E eu fiquei em retalhos.

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